O Arroz Brasileiro no Encarte Promocional
595 marcas em 12 meses, tres faixas de preco e um mapa em que cada estado tem sua marca
11 de junho de 2026 · Marcelo Souza de Araújo
Em 12 meses (jun/2025 -> mai/2026), 595 marcas de arroz foram anunciadas em encartes do varejo brasileiro. Nenhuma chega a 4% do volume isoladamente, e o top 3 nacional soma apenas 8,8%. No mesmo pacote padrao de 5kg, o preco medio anunciado varia 2,07x entre marcas. Tio Joao sustenta R$27 desde 2024, enquanto Camil, Tio Urbano, Kika e Cacarola cairam entre 30% e 51%. Cada estado tem sua marca lider.
O Arroz Brasileiro no Encarte Promocional
Estudo pontual do Instituto DS de Pesquisas sobre as marcas de arroz anunciadas em encartes promocionais do varejo brasileiro. Base: 54.421 aparições em encarte registradas em 12 meses (jun/2025 → mai/2026), reunindo 595 marcas distintas em 26 estados.
Este estudo descreve anúncios em encarte — peças promocionais publicadas pelo varejo. Não mede venda em prateleira, distribuição física, market share ou consumo. Cada número refere-se exclusivamente ao que foi anunciado em encarte no período observado.
1. O fato central
Em 12 meses, 595 marcas anunciaram arroz em encartes brasileiros. Nenhuma chega a 4% do volume isoladamente. As três marcas mais anunciadas, somadas, respondem por 8,8%.
Esse é o produto com a menor concentração de topo entre as categorias com volume relevante de aparição em encarte. Considerando apenas categorias com ≥5.000 anúncios em 12 meses (corte que garante estabilidade do indicador):
| Produto | Anúncios em 12m | Marcas | Top 3 leva |
|---|---|---|---|
| Arroz | 54.421 | 595 | 8,8% |
| Feijão | 7.020 | 263 | 11,4% |
| Feijão Preto | 8.147 | 221 | 14,7% |
| Biscoito | 8.746 | 139 | 16,4% |
| Farinha de Trigo | 13.336 | 164 | 17,0% |
| Macarrão | 35.865 | 279 | 19,7% |
| Café | 18.431 | 329 | 20,3% |
| Açúcar | 29.077 | 209 | 22,8% |
| Sabonete | 23.702 | 156 | 28,3% |
O arroz tem mais marcas distintas anunciando do que café (329), feijão carioca (313) ou macarrão (279), e ao mesmo tempo a menor concentração no topo.
2. Um pacote só
Quase quatro em cada cinco anúncios de arroz no Brasil são do pacote de 5kg.
| Embalagem | % dos anúncios | R$/kg observado |
|---|---|---|
| 5kg | 78% | R$ 3,45 |
| 1kg | 20% | R$ 4,76 |
| 2kg | 2% | R$ 4,00 |
Quem encontra o pacote de 1kg paga 38% mais por quilo que quem encontra o de 5kg. Em outras categorias básicas, o mercado de embalagens é mais distribuído: café tem 250g, 500g e 1kg em concorrência aberta; refrigerante tem 350ml, 600ml, 1L, 1,5L, 2L e 2,5L em circulação simultânea. No arroz, 78% do encarte cabe em uma única embalagem.
Parte do diferencial de R$/kg entre 5kg e 1kg tem origem econômica conhecida — custo de filme/selagem por unidade, palete-padrão de 30kg (6 pacotes de 5kg), giro de gôndola, e tratamento de cesta básica em vários estados estruturado em torno do pacote 5kg. O dado descreve o que circula em encarte; não atribui exploração nem ineficiência.
3. As 595 marcas e a cauda longa
A pluralidade do arroz vem da base do universo. Mais da metade das 595 marcas aparece menos de seis vezes em 12 meses:
| Aparições em 12m | Marcas | Volume (anúncios) | % do volume |
|---|---|---|---|
| 1 aparição | 52 | 52 | 0,1% |
| 2-5 | 83 | 278 | 0,5% |
| 6-20 | 149 | 1.800 | 3,3% |
| 21-100 | 194 | 9.239 | 17,0% |
| 101-500 | 95 | 22.960 | 42,2% |
| 501+ | 22 | 20.092 | 36,9% |
Vinte e duas marcas concentram 37% do volume de anúncios de arroz em 12 meses. As outras 573 dividem os 63% restantes. A pluralidade é real e tem peso — não está só na cauda mais fina, mas no meio do universo (faixas 21-100 e 101-500 somam 59% do volume e 49% das marcas).
4. As três faixas de preço
No mesmo pacote padrão (5kg), o preço médio anunciado em encarte varia 2,07× entre a marca mais barata e a mais cara. Não é variação de embalagem nem de subtipo: é variação de posicionamento de marca dentro do mesmo produto.
Janela de 12 meses, marcas com 100+ anúncios, mediana de preço anunciado em encarte após remoção dos valores extremos (1% mais alto e 1% mais baixo por marca):
| Faixa | Marcas representativas | Mediana (5kg) |
|---|---|---|
| Popular | Kika, Tio Lautério, Bella Flor, Smart, Patosul, Brilhante | R$ 13–17 |
| Médio | Sepé, Pato Sul, Camil, Tio Jorge, Rei Arthur, Tio Urbano | R$ 18–21 |
| Faixa alta | Brejeiro, Vasconcelos, Empório São João, Prato Fino, Cristal, Tio João | R$ 22–27 |
- A marca com a maior mediana de preço anunciada em encarte no período é Tio João: R$ 26,90.
- A com a menor é Kika: R$ 12,99.
- Camil, marca de pegada nacional, fica em R$ 19,98 — meio do mercado.
A faixa alta de preço anunciado em encarte é ocupada majoritariamente por marcas regionais (Vasconcelos, Brejeiro, Empório São João, Prato Fino, Cristal). Tio João é a única marca de pegada nacional nessa faixa.
5. A queda generalizada — e a exceção
Comparando ao mesmo pacote 5kg ao longo de 24 meses, quase todas as marcas com presença ampla em encarte tiveram redução no preço médio anunciado.
| Marca | jul/2024 (R$, N anúncios) | mar/2026 (R$, N anúncios) | Variação |
|---|---|---|---|
| Tio João | 26,75 (n=45) | 27,58 (n=30) | ±0% |
| Camil | 29,47 (n=111) | 19,26 (n=68) | −35% |
| Tio Urbano | 30,74 (n=66) | 21,38 (n=73) | −30% |
| Kika* | 26,81 (n=12) | 15,04 (n=18) | −44% |
| Caçarola* | 30,39 (n=17) | 14,98 (n=19) | −51% |
*Kika e Caçarola com N relativamente pequeno em pelo menos uma das janelas; intervalo de confiança da mediana é largo. A direção da queda é consistente com os meses adjacentes (Kika R$ 23,60 em out/2024 com N=11; Caçarola R$ 30,32 em ago/2024 com N=14).
Quatro marcas com presença ampla em encarte tiveram redução entre 30% e 51% no preço médio anunciado de pacote 5kg em 24 meses. Tio João partiu do mesmo patamar (R$ 26,75 em jul/2024) e está hoje em R$ 27,58. O número de anúncios de Tio João no recorte (n=45 em jul/2024 e n=30 em mar/2026) é compatível com perda de espaço relativo em encarte ao longo do período — não apenas estabilidade de preço.
O movimento é coerente com o que se observou no atacado brasileiro durante o período: indicadores de atacado de arroz registraram redução substancial entre 2024 e 2026, refletindo a normalização da safra após a enchente de mai/2024 no Rio Grande do Sul. As marcas que reduziram preços anunciados em encarte acompanharam esse movimento. Tio João é a marca que, no recorte deste estudo, sustenta o patamar de preço anunciado de 2024 — o que pode refletir estratégia de pricing (manutenção de margem em ciclo de queda de insumo), e não necessariamente reposicionamento de marca.
6. O mapa do arroz brasileiro
Cada estado tem uma marca mais anunciada em encarte. E essa marca, em quase nenhum caso, é a mesma do estado vizinho. Tabela com a marca líder em cada UF (12 meses), com volume e a marca em segundo lugar:
| UF | N anúncios na UF | Marca líder | % líder | 2º colocado | % 2º |
|---|---|---|---|---|---|
| SP | 7.617 | Camil | 11,8% | Ramagem | 5,3% |
| MG | 7.452 | Codisul | 9,1% | Rei Arthur | 8,7% |
| GO | 3.664 | Tio Jorge | 9,8% | Safra | 9,5% |
| PR | 3.198 | Rampinelli | 21,9% | Sabor Sul | 11,5% |
| BA | 2.639 | Kika | 10,1% | Caçarola | 8,4% |
| RJ | 2.201 | Fighera | 13,0% | Pagliarin | 9,4% |
| RO | 2.163 | Soltinho | 20,2% | Bernardo | 18,8% |
| MT | 2.127 | Koblenz | 17,3% | Rei | 10,9% |
| RS | 1.887 | Gaiteiro | 25,3% | Bella Flor | 10,9% |
| SC | 1.806 | Kika | 31,1% | Tio João | 11,7% |
| PA | 1.794 | Tio Urbano | 9,2% | Realengo | 8,1% |
| MS | 1.692 | Tio Lautério | 26,7% | Guacira | 15,8% |
| AM | 1.655 | Somar | 25,0% | Caçarola | 22,0% |
| MA | 1.615 | Tio João | 25,7% | Painho | 13,3% |
| ES | 1.556 | Rei Arthur | 26,8% | Saboroso | 20,1% |
| TO | 1.206 | Tio João | 43,6% | Safra | 21,2% |
| PI | 1.159 | Tio Urbano | 12,1% | Bento | 11,1% |
| CE | 1.002 | Achei | 11,4% | Itaguary | 10,7% |
| PB | 567 | Kika | 24,3% | Caçarola | 16,7% |
| AL | 520 | Kiarroz | 24,2% | Gringo | 14,1% |
| DF | 475 | Flora | 33,0% | Brilhante | 23,0% |
| SE | 434 | Tia Graça | 25,1% | Dalon | 17,1% |
| RN | 401 | Fazenda | 17,3% | Catarinão | 12,7% |
| PE | 373 | Caçarola | 26,3% | Rampinelli | 25,7% |
| AC | 322 | Tio Alemão | 31,1% | Fazenda | 30,2% |
| RR* | 40 | Prato Chic | 25,0% | Zilmar | 25,0% |
| AP* | 1 | — | — | — | — |
*UFs com cobertura insuficiente no recorte (RR com N=40; AP com N=1). Rankings instáveis e fora da análise comparativa.
Camil aparece como mais anunciada apenas em SP, e com 11,8% — distante da liderança absoluta. Tio João é a marca mais anunciada em MA e TO, dois estados do Norte e Nordeste. Kika lidera em três (BA, SC, PB). Tio Urbano lidera dois (PA, PI).
Em vários estados, a diferença entre líder e segundo colocado é inferior a 3 pontos percentuais — patamar em que o ranking é estatisticamente um empate técnico. São os casos de MG (9,1% × 8,7%), GO (9,8% × 9,5%), PA (9,2% × 8,1%), PE (26,3% × 25,7%) e AC (31,1% × 30,2%). Nesses estados, o que existe é divisão fragmentada entre duas ou três marcas, não dominância de uma.
As outras 18 UFs com cobertura adequada são lideradas por 18 marcas distintas — Camil (SP), Codisul (MG), Fighera (RJ), Soltinho (RO), Koblenz (MT), Gaiteiro (RS), Somar (AM), Rei Arthur (ES), Tio Lautério (MS), Achei (CE), Kiarroz (AL), Flora (DF), Tia Graça (SE), Fazenda (RN), Caçarola (PE), Tio Alemão (AC), Tio Jorge (GO) e Rampinelli (PR). Marcas que, fora da UF onde lideram, raramente aparecem em encartes de outros estados.
7. As marcas de um estado só
Algumas marcas de arroz só aparecem em encarte em uma UF, mesmo tendo volume relevante. Lista das 10 com maior volume entre as restritas a 1 ou 2 estados (12 meses):
| Marca | Anúncios em 12m | UFs | Empresas anunciando |
|---|---|---|---|
| Gaiteiro | 425 | 2 | 24 |
| Empório São João | 416 | 2 | 57 |
| Ramagem | 408 | 1 | 19 |
| Mestre Cuca | 394 | 2 | 25 |
| Itasa | 380 | 2 | 15 |
| Anceli | 269 | 1 | 18 |
| Colibri | 216 | 1 | 6 |
| Viva Maria | 197 | 1 | 1 |
| União | 199 | 1 | 15 |
| Bella Flor | 180 | 1 | 4 |
Algumas dessas marcas têm uma única UF mas dezenas de redes anunciando — Empório São João aparece em 57 redes diferentes dentro de um único estado. Outras estão restritas a uma única rede — Viva Maria aparece em uma UF, em uma rede, sustentando 197 aparições no período. Esses padrões coexistem.
A existência destas marcas-de-um-estado é parte da resposta para a fragmentação do mercado de arroz em encarte: cada região conserva marcas com tradição local que continuam tendo volume relevante de aparição em encarte estadual.
8. O encarte do arroz é de meio de semana
O calendário semanal de aparição do arroz em encarte é distinto do calendário geral do encarte brasileiro, que se concentra na segunda-feira (28%).
| Dia da semana | % dos anúncios de arroz |
|---|---|
| Dom | 14,6% |
| Seg | 14,4% |
| Ter | 14,6% |
| Qua | 22,0% |
| Qui | 21,7% |
| Sex | 9,8% |
| Sáb | 2,8% |
Quarta e quinta concentram 44% dos anúncios de arroz em encarte. Domingo a terça dividem cerca de 14% cada. Sexta cai pela metade. Sábado quase desaparece.
A hipótese editorial, ancorada em literatura de comportamento de compra do varejo alimentar brasileiro (Kantar Worldpanel, Nielsen): arroz é item típico da compra mensal ou quinzenal feita no fim de semana, não da compra semanal feita no início. O encarte se desloca da segunda — calendário da compra-da-semana — para o meio dela, ajustando-se ao momento em que o consumidor toma decisão sobre compra de maior volume.
9. Arroz com feijão? Só em 41% dos encartes
A dupla mais associada à cultura alimentar brasileira não tem correspondência mecânica na composição do encarte promocional. Em março/2026:
- 4.424 encartes anunciaram arroz
- 3.374 encartes anunciaram feijão (qualquer tipo)
- 1.834 encartes anunciaram os dois — 41% dos encartes com arroz
Mais da metade dos encartes que destacam arroz não traz feijão na mesma peça. E 1.540 encartes anunciam feijão sem arroz.
O dado descreve composição editorial do encarte, não consumo. O varejo seleciona destaques por categoria com base em custo de aquisição, calendário interno, espaço editorial e disponibilidade de fornecedor. A dupla cultural está presente em 41% das peças — minoria, mas não residual.
10. Leitura
Três observações estruturais emergem dos dados:
1. A fragmentação do arroz é estável e tem origem regional, não acidental. A baixa concentração de topo (8,8%) não vem só da cauda longa: marcas com 100-500 anúncios em 12 meses (95 marcas) e marcas com 501+ aparições (22 marcas) somam 79% do volume total. A pluralidade tem peso — a maior parte do mercado está distribuída entre o meio e o topo de marcas regionais, não concentrada em poucas nacionais.
2. A foto de 24 meses mostra um mercado de arroz 5kg em encarte que se reorganizou para baixo. Camil, Tio Urbano, Kika e Caçarola tiveram quedas de 30-51% no preço anunciado em encarte. Tio João, partindo do mesmo patamar de 2024, está hoje no mesmo lugar. O movimento das demais marcas acompanha o que se observou nos indicadores de atacado de arroz no período; Tio João é o caso de exceção entre as marcas comparadas neste recorte, com possível interpretação de estratégia de pricing (manutenção de preço anunciado em ciclo de queda de insumo).
3. A liderança estadual em arroz é dominância fraca. Em quase metade das UFs cobertas, a marca mais anunciada tem menos de 15% do volume estadual. Em cinco UFs, a diferença para o segundo colocado é estatisticamente desprezível. O que se observa não é dominância regional, mas divisão fragmentada de mercados estaduais cada um com seu próprio núcleo de marcas.
11. Ganchos de pauta
- Manchete primária: "O arroz é a categoria mais fragmentada do encarte brasileiro — 595 marcas competem por espaço em 12 meses, e nenhuma chega a 4%"
- Manchete secundária: "Tio João é a marca de arroz com o preço médio mais alto anunciado em encarte — e a única, entre as de pegada nacional, que sustentou o patamar enquanto as demais reduziram em 24 meses"
- Manchete regional: "18 marcas de arroz lideram um único estado cada — Codisul em MG, Soltinho em RO, Gaiteiro no RS, Tio Alemão no AC"
- Manchete de embalagem: "78% do arroz anunciado em encarte no Brasil é de pacote 5kg. Quem encontra o pacote de 1kg paga 38% mais por quilo"
- Manchete temporal: "Quarta e quinta concentram 44% dos anúncios de arroz em encarte brasileiro"
- Infográfico: mapa do Brasil com a marca líder e sua participação em cada UF coberta
12. Limitações e cuidados editoriais
- Os dados são de anúncios em encarte — peças promocionais publicadas pelo varejo. Não representam venda em prateleira, distribuição física, market share ou participação de mercado real. Preços indicados são preços médios anunciados em encarte, não preços regulares de venda nem preços médios do mercado.
- A categoria de arroz, neste estudo, agrupa todos os subtipos (parboilizado, branco, integral, agulhinha). Subtipo individual não tem cobertura suficiente para sustentar análise robusta. Possível viés se uma marca anuncia preferencialmente um subtipo distinto da média.
- A pegada por UF reflete onde a peça promocional circulou — onde a rede tem loja. Não reflete necessariamente onde o arroz é vendido fisicamente, nem qual a participação de mercado da marca naquela UF.
- O preço médio relatado é do anúncio em encarte, em reais correntes, sem ajuste para inflação. As variações de 24 meses são em valores nominais.
- Marcas com penetração baixa em encarte digital podem estar sub-representadas. Algumas marcas regionais que usam predominantemente cartaz físico ou jornal impresso podem aparecer em volume inferior ao seu peso real no varejo local.
- AP (com 1 aparição em 12 meses) e RR (com 40 aparições) não têm cobertura suficiente para sustentar análise estadual.
- Marcas citadas são propriedade de seus respectivos titulares. Uso meramente referencial para fins descritivos. Este estudo descreve o que foi anunciado em encarte; não recomenda compra, investimento ou decisão comercial.
13. Caminhos para aprofundar
- Subtipo de arroz — quando a taxonomia de parboilizado / branco / integral / agulhinha estiver consolidada, abrir o estudo por subtipo.
- Cruzamento com porte da rede — número de lojas por marca anunciada. Redes grandes anunciam mais marcas nacionais? Redes pequenas anunciam mais marcas regionais?
- Índices de concentração (HHI nacional × HHI por UF) — testar quantitativamente se a fragmentação nacional é artefato de agregação de mercados regionais concentrados.
- Comparação com outros básicos — replicar metodologia para feijão e açúcar, gerando uma série dos "básicos da despensa".
- Cesta básica regional anunciada — combinar arroz + feijão + óleo + açúcar + café por UF, comparando o preço da cesta básica anunciada em encarte entre regiões.
- Trajetória de marca-líder por UF — quem era líder de cada estado há 12 meses, quem é hoje. Detecta marcas regionais em ascensão.
- Validação com dado de atacado — comparação entre o que circula em encarte e indicadores CEPEA/CONAB do arroz em casca para o mesmo período.
Metodologia
Base de dados. 54.421 aparições de arroz em encarte registradas entre 1º de junho de 2025 e 31 de maio de 2026, provenientes de captura automática de encartes e materiais promocionais publicados por varejistas brasileiros em 26 estados (AP excluída por cobertura insuficiente). O IDSP opera esta captação em regime contínuo desde janeiro de 2024.
Filtros aplicados. Considerados apenas anúncios em encarte com identificação de marca e estado. Para análise de preço, excluídas observações com preço inválido ou fora da faixa razoável da categoria (≤ R$ 0,50 ou ≥ R$ 200 no pacote 5kg). Para análise temporal de preço, fixada a embalagem 5kg, evitando comparação entre packs distintos.
Análise de concentração. Top 3 calculado sobre o volume total de anúncios da categoria em 12 meses. Critério de "categoria com volume relevante" definido em ≥5.000 anúncios em 12 meses, garantindo estabilidade percentual.
Análise de preço. Mediana de preço anunciado em encarte por marca, com remoção dos 1% mais altos e 1% mais baixos por marca para tratamento de outliers. Comparação de 24 meses (jul/2024 vs mar/2026) com embalagem fixada e relato do número de observações em cada janela.
Análise por UF. Líder definido como marca com maior número de anúncios na UF no período. Diferença ao segundo colocado calculada como pontos percentuais sobre o total da UF. UFs com N < 100 (RR, AP) excluídas da análise comparativa.
Reprodutibilidade. A metodologia completa do IDSP está em institutodspesquisas.com/sobre/metodologia. Questões sobre este estudo podem ser direcionadas à Diretoria de Pesquisa do IDSP.
Sobre este estudo
Autoria: Luan Gil Azevedo (Presidente), Marcelo Souza de Araújo (Diretor de Pesquisa), Felipe Serrano Vieira (Diretor Executivo). Coordenação metodológica: Diretoria de Pesquisa. Versão: v1.
Sobre o Instituto DS de Pesquisas
O IDSP é uma iniciativa de inteligência de dados focada no varejo promocional brasileiro. Publica mensalmente o IDS-PP (Índice DS de Preços Promocionais) e o IDS-PM (Índice DS de Presença de Marcas), além de estudos pontuais como este, em institutodspesquisas.com.
Cobertura. O IDSP opera captação automática de encartes promocionais e registros do varejo em mais de 2.000 empresas ativas em 26 estados brasileiros, com série histórica desde janeiro de 2024.
Governança e independência editorial. Os três dirigentes do IDSP exercem também funções executivas na ds.marketing, empresa que criou e mantém institucionalmente o instituto. Decisões editoriais — definição de metodologia, filtros estatísticos, escolha de estudos e tratamento de dados — são tomadas pela Diretoria de Pesquisa do IDSP sem interferência externa. Nenhum cliente da ds.marketing tem tratamento preferencial na cobertura, recortes ou destaque de nenhuma publicação.
Financiamento. Não recebe recursos de governos, partidos, associações setoriais ou empresas privadas (exceto o suporte institucional da ds.marketing declarado acima).
Correções. Erros identificados são corrigidos com nota de errata visível na publicação original.
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