O mapa do movimento no varejo brasileiro
A que horas cada tipo de loja enche, hora a hora e dia a dia — o padrão de movimento de ~1.100 lojas de varejo, por segmento
03 de agosto de 2026 · Marcelo Souza de Araújo
O padrão de horário de movimento de cerca de 1.100 lojas de varejo brasileiro, por segmento. Quase todo comércio enche no fim da tarde nos dias úteis (por volta das 17h) e migra para a manhã no fim de semana — mas cada segmento tem sua assinatura: a farmácia fica acesa até tarde, a construção não tem noite, a adega só enche no sábado à noite, e o açougue e o hortifruti no domingo de manhã. E o padrão é nacional: o horário em que o cliente entra na loja é praticamente o mesmo em todo o país.
A tese
Todo comércio de rua tem um horário. O padeiro sabe que a fila das seis da tarde não é a mesma das seis da manhã; o dono do petshop sabe que sábado antes do almoço não se compara a uma terça qualquer. Mas esse conhecimento costuma ser de sensação — "parece que enche mais tarde". Este estudo troca a sensação pelo dado: olhamos o ritmo de movimento de cerca de 1.100 lojas de varejo brasileiro — cada uma com o próprio padrão de horário registrado —, separadas por segmento, para desenhar o ritmo de cada tipo de negócio: quando a loja enche, hora a hora, dia a dia.
O que aparece é uma regra comum e um punhado de exceções reveladoras. Quase todo varejo pulsa no mesmo compasso: enche no fim da tarde nos dias úteis (por volta das 17h) e migra para a manhã no fim de semana. É o pulso da saída do trabalho somado ao sábado de compras. Mas alguns segmentos quebram esse padrão de um jeito que diz muito sobre o hábito do brasileiro — a farmácia que fica acesa até tarde, a padaria que enche desde a alvorada, a loja de construção que não tem noite, a adega que só acorda no sábado à noite.
Como ler este estudo. Aqui medimos quando cada tipo de loja tem mais gente dentro, não quanto. Cada curva é normalizada pelo próprio pico do segmento — o "100" de um supermercado e o "100" de uma padaria são cada um o auge daquele tipo de loja, e não se comparam entre si em tamanho. Não dizemos que um segmento é "mais movimentado" que outro; dizemos a que horas cada um chega ao seu próprio auge. Os horários são de relógio local da loja. E este é o retrato de uma semana típica — o padrão de comportamento, não um dia específico nem uma leitura ao vivo. (Ao longo do texto: a "curva" é o desenho do movimento hora a hora; a "cauda" é o movimento que ainda segura no fim do dia; um "platô" é um trecho parado num nível médio.)
O pulso comum: 17h no dia útil, manhã no fim de semana
Antes das exceções, a regra. A maioria dos segmentos de varejo compartilha o mesmo desenho de semana, e o supermercado é o retrato mais limpo dele.
Num dia útil, o supermercado acorda devagar: às 7h ainda é um quinto do movimento de pico; sobe a um platô morno ao longo da manhã e do começo da tarde; e então dispara a partir das 15h — 15h, 16h, 17h (auge), 18h — antes de esvaziar rápido depois das 19h. É a curva da saída do trabalho: quem passa no mercado no caminho de casa.
No fim de semana, o ritmo vira. O pico da tarde some e o movimento se concentra de manhã: às 9h já está cheio, 10h–11h é o auge, e a tarde fica num platô morno até o fim do dia. Sábado e domingo são o dia da compra da semana, feita cedo.
Esse compasso — tarde no dia útil, manhã no fim de semana — se repete, com pequenas variações, em supermercado, mercearia, padaria, farmácia e petshop. O que muda de um para o outro é a assinatura: onde a curva abre, quão tarde ela fecha, e se há mais de um pico no dia.
O mapa do movimento
Tudo num quadro só: cada linha é um segmento, cada coluna uma hora do dia, e a intensidade da sombra é o quanto aquele horário se aproxima do pico do próprio segmento (█ cheio → ░ fraco → vazio). É o mapa de quando cada tipo de loja enche.
Dia útil (segunda a sexta) · sombra = % do pico do próprio segmento
| Segmento | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Supermercado | · | ░ | ▒ | ▒ | ▒ | ▒ | ▒ | ▒ | ▓ | █ | █ | █ | ▓ | ░ | · | |||
| Farmácia | ░ | ▒ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | █ | █ | █ | █ | ▓ | ▒ | ░ | · | ||
| Padaria | · | ░ | ▒ | ▒ | ▒ | ▒ | ▒ | ▒ | ▓ | ▓ | █ | █ | █ | ▒ | ░ | · | ||
| Construção | ░ | ▓ | █ | █ | █ | ▓ | ▓ | █ | █ | █ | ▓ | · | ||||||
| Petshop | · | ▒ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | █ | █ | █ | ▒ | · | |||||
| Mercearia | · | ▒ | ▒ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | █ | █ | █ | ▓ | ▒ | ░ | · | |||
| Adega* | · | ░ | ░ | ▒ | ▓ | ▓ | █ | █ | █ | █ | █ | █ | ▓ | ▓ | ▒ | ░ | ||
| Açougue* | · | ░ | ▒ | ▒ | ▓ | ▒ | ▒ | ▒ | ▓ | █ | █ | █ | ▒ | · | ||||
| Hortifruti* | · | ▒ | ▓ | █ | █ | █ | ▓ | ▓ | ▓ | █ | █ | █ | █ | ▓ | · |
Fim de semana (sábado e domingo)
| Segmento | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Supermercado | · | ▒ | ▓ | █ | █ | ▓ | ▒ | ▒ | ▒ | ▒ | ▓ | ▒ | ▒ | · | · | |||
| Farmácia | ░ | ▓ | █ | █ | █ | █ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▒ | ░ | · | ||
| Padaria | ░ | ▒ | ▓ | █ | █ | █ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▓ | ▒ | ░ | · | · | · |
| Construção | · | ▒ | █ | █ | █ | ▒ | ░ | · | · | · | ||||||||
| Petshop | · | ▒ | ▓ | █ | █ | ▓ | ▒ | ▒ | ░ | ░ | ░ | · | · | |||||
| Mercearia | · | ▒ | ▓ | █ | █ | ▓ | ▒ | ▒ | ▒ | ▒ | ▒ | ░ | ░ | · | · | |||
| Adega* | · | ░ | ▒ | ▓ | █ | █ | █ | █ | █ | █ | ▓ | █ | █ | █ | ▓ | ▓ | ||
| Açougue* | · | ░ | ▓ | █ | █ | ▓ | ▒ | ░ | ░ | ░ | ░ | ░ | · | |||||
| Hortifruti* | ░ | ▒ | ▓ | █ | █ | ▓ | ▒ | ░ | ░ | ░ | ░ | ░ | · |
Legenda: █ 85–100% · ▓ 65–84% · ▒ 45–64% · ░ 25–44% · · 8–24% · (vazio) abaixo de 8% — do pico daquele segmento dentro de cada quadro. O quadro de dia útil e o de fim de semana são normalizados separadamente: as sombras contam o ritmo do dia, e não se comparam entre um quadro e o outro. Horário local; segmentos com * têm amostra menor (leitura indicativa).
Três coisas saltam do mapa: a diagonal das 17h no dia útil — quase todo mundo satura no fim de tarde; a cauda da farmácia, que segue acesa quando o resto já apagou; e o paredão da construção às 18h. No fim de semana, o bloco inteiro escorrega para as 10h–11h — só a adega vai na contramão e acende à noite.
As assinaturas de cada segmento
🛒 Supermercado — o pulso padrão
É o desenho de referência descrito acima: auge às 17h no dia útil, 10h–11h no fim de semana, e esvazia cedo à noite. Todos os outros segmentos se leem como um desvio deste ritmo.
💊 Farmácia — a última a apagar a luz
- Dia útil: mesmo pico às 17h, mas a cauda da noite é a mais longa de todo o varejo — às 20h ainda está na metade do movimento de pico, e continua com gente às 21h e 22h.
- Fim de semana: auge de manhã (11h), mas de novo com noite longa.
- Assinatura: a farmácia é o negócio que fecha por último. Enquanto o supermercado já caiu a cerca de um quarto do seu pico às 20h, a farmácia ainda está na metade — o segmento da urgência e do horário estendido.
🥖 Padaria — a que abre mais cedo
- Dia útil: a padaria abre mais cedo que todo mundo (já tem movimento às 6h–7h), mantém a manhã aquecida e chega ao auge no fim de tarde, às 17h.
- Fim de semana: manhã forte e cedo — auge às 10h, e às 7h já está pela metade.
- Assinatura: o pão fresco puxa a manhã para antes de todos os outros — é o segmento com o formato mais matinal, sem perder o pico da saída do trabalho.
🔨 Material de construção — só de dia, e sábado de manhã
- Dia útil: platô alto ao longo do dia (9h–16h), auge às 15h — e então um paredão: às 18h o movimento já caiu a 10% do pico. Não tem noite.
- Fim de semana: só sábado de manhã — auge às 10h e praticamente encerrado ao meio-dia.
- Assinatura: o único segmento sem fim de tarde. É o ritmo do horário comercial puro, mais o projeto de sábado de manhã. Depois das 18h e no domingo, a loja de construção está vazia.
🐾 Petshop — a tarde e a manhã do fim de semana
- Dia útil: sobe a tarde, auge entre 16h e 17h, e dorme cedo — às 19h já está esvaziando.
- Fim de semana: auge às 11h, e some rápido depois do almoço.
- Assinatura: parecido com o supermercado, mas encerra mais cedo — o cliente do pet resolve de tarde ou no sábado de manhã, não à noite.
🏪 Mercearia — o bairro o dia inteiro
- Dia útil: auge às 17h, como o supermercado, mas com a tarde mais espalhada.
- Fim de semana: auge às 11h, e um platô que segura o movimento pela tarde adentro.
- Assinatura: a loja de conveniência do bairro — sem um vale tão fundo entre os picos, porque sempre tem alguém entrando.
Os ritmos de nicho (amostra menor — leitura indicativa)
Três segmentos têm menos lojas com dado suficiente para uma leitura firme, mas o padrão é forte o bastante para registrar:
- 🍷 Adega — o único ritmo noturno. Enquanto todo o resto migra para a manhã no fim de semana, a adega faz o contrário: a cauda cresce ao longo da semana (quinta à noite, sexta mais tarde) e chega ao auge no sábado à noite, por volta das 21h. É o único segmento cujo pico é depois do jantar.
- 🥩 Açougue — o pico de domingo. Nos dias úteis acompanha o pulso comum (fim de tarde), mas seu maior movimento é no domingo de manhã (11h) — o horário do preparo do almoço e do churrasco.
- 🥬 Hortifruti — a feira de domingo. Também domingo de manhã: o abastecimento de frutas e verduras do fim de semana.
Quadro-resumo: o horário de pico de cada segmento
| Segmento | Lojas | Dia útil (auge) | Fim de semana (auge) | Assinatura |
|---|---|---|---|---|
| Supermercado | 360 | 17h | 10h–11h | Pulso padrão |
| Farmácia | 183 | 17h (noite longa) | 11h | A última a fechar |
| Padaria | 165 | 17h (abre na alvorada) | 10h | A que abre mais cedo |
| Construção | 142 | 15h (fecha 18h) | sáb 10h | Só de dia |
| Petshop | 132 | 16h–17h | 11h | Dorme cedo |
| Mercearia | 60 | 17h | 11h | Movimento o dia todo |
| Adega* | 24 | sobe à noite | sáb 21h | Único noturno |
| Açougue* | 21 | 17h | dom 11h | Pico de domingo |
| Hortifruti* | 15 | irregular | dom 11h | Feira de domingo |
* Amostra menor — leitura indicativa.
É um mapa nacional
O horário do movimento quase não muda de uma região para outra. Olhando o pico de cada segmento por região — Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul —, o desenho se repete: fim de tarde (por volta das 17h) no dia útil e manhã (10h–11h) no fim de semana, praticamente igual nas cinco.
- Supermercado: auge às 17h no dia útil no Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, e de manhã no fim de semana em todas as regiões.
- Farmácia e petshop: 16h–17h no dia útil e manhã no fim de semana, em todas as regiões com amostra suficiente.
- Construção: o mais uniforme de todos — auge às 15h–16h no dia útil e sábado de manhã, idêntico de Norte a Sul.
As poucas divergências (o Norte, com menos lojas na amostra, ou um segmento puxando o pico uma hora adiante num recorte específico) são efeito de amostra pequena, não de mudança de hábito. A leitura é direta: o horário em que o cliente entra na loja é praticamente o mesmo em todo o país — muda o produto na prateleira e a fachada, mas não a hora. É por isso que este é um mapa nacional, e não cinco mapas regionais.
Para quem tem loja
Este é o retrato de quando o cliente está fisicamente na sua loja — útil para decidir escala de equipe, horário de reposição, quando abrir mais cedo ou esticar a noite, e como distribuir o esforço da operação ao longo do dia. Três leituras diretas:
- O fim de semana não é a continuação da semana. Para quase todo segmento, o cliente do sábado e do domingo chega de manhã, não à tarde. Quem planeja o fim de semana com a lógica do dia útil erra o horário.
- Cada segmento tem sua janela. Farmácia vive a noite; construção não tem noite nenhuma; padaria tem o formato mais matinal; adega é do sábado à noite. Copiar o horário do vizinho de outro ramo é copiar o ritmo errado.
- A hora do auge não é a hora de começar a preparar. O movimento do supermercado dispara às 15h e satura às 17h — a loja precisa estar pronta antes da curva subir, não no pico.
Metodologia
- Fonte. De uma base de varejo brasileiro monitorada, isolamos as 1.102 lojas que reúnem, ao mesmo tempo, curva de movimento completa e segmento identificado por evidência — o recorte qualificado que sustenta este estudo, distribuído em nove segmentos. Cada loja contribui com uma curva de movimento por dia da semana e hora, já normalizada de 0 a 100 em relação ao próprio pico daquela loja.
- Segmentação. Cada loja entra em um segmento apenas com evidência — pelo nome do negócio ou pelos produtos que anuncia. Lojas sem sinal claro de segmento ficam de fora.
- Agregação. Para cada segmento, calculamos o movimento médio por dia e hora entre as lojas, e daí extraímos o horário de auge e a forma da curva (abertura, pico, cauda). Como cada loja já está normalizada pelo próprio máximo, a média capta o formato típico do dia, não o tamanho do negócio.
- Limpeza. Uma loja aparece uma única vez, mesmo quando monitorada por mais de uma fonte (mantemos a classificação de segmento mais bem sustentada). Endereços genéricos compartilhados por dezenas de negócios (uma cidade inteira marcada como "local") são descartados, porque não representam a loja de ninguém.
- Confiabilidade por segmento. As leituras têm destaque para os seis segmentos com maior número de lojas (60 a 360). Adega, açougue e hortifruti (15 a 24 lojas) entram como leitura indicativa, sinalizada no texto.
- Horário. Os horários são de relógio local da loja e descrevem uma semana típica — um padrão histórico de comportamento, não uma medição ao vivo nem um dia específico.
O que este estudo não mede. Não medimos volume de vendas, faturamento nem quantidade de clientes — apenas o formato do movimento ao longo do dia. Não comparamos o tamanho do movimento entre segmentos (cada curva é relativa ao próprio pico). E não cruzamos movimento com preço, promoção ou desempenho comercial — este é um retrato de horário de fluxo, e só.
Este estudo descreve o padrão de horário de movimento observado em lojas de varejo. Não atribui causas comerciais, não mede vendas e não faz projeções. Interpretações sobre comportamento de consumo ficam a critério de cada leitor.
Próximos passos possíveis. Recorte por região (o ritmo muda entre Norte e Sul?), evolução do padrão ao longo do ano, e o cruzamento — em estudo separado — entre a janela de fluxo e a janela em que cada segmento mais anuncia.
Sobre o Instituto DS de Pesquisas
O IDSP é uma iniciativa de inteligência de dados focada no varejo promocional brasileiro. Publica mensalmente o IDS-PP (Índice DS de Preços Promocionais) e o IDS-PM (Índice DS de Presença de Marcas), além de estudos setoriais, em institutodspesquisas.com.
Instituto DS de Pesquisas · Uma iniciativa ds.marketing
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